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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Brava gente: a trajetória do MST e a luta pela terra no Brasil

Autor: Bernado M. Fernandes (org.)
Número de páginas: 169
ISBN: 978-85-7743-203-5
Editora: Expressão Popular/ Perseu Abramo
Categoria: Estudos Agrários
Peso: 240 g
Preço: R$ 15,00 Comprar

As origens da luta pela reforma agrária, as formas de organização, os projetos desenvolvidos pelo MST nos assentamentos e outras questões que ajudam a conhecer e a compreender este importante movimento social são analisados em longa entrevista concedida por João Pedro Stédile. Um retrato do corpo inteiro do MST, objetivo, claro e sincero. Indicado para o Prêmio Jabuti 2000.

domingo, 4 de setembro de 2011

Terra e modernidade - a reinvenção do campo brasileiro

Autor: Sérgio Sauer 
Número de páginas: 192 
ISBN: 978-85-7743-149-6 
Editora: Expressão Popular 
Categoria: Estudos Agrários 
Peso: 237 g 
Preço: R$ 15,00 Comprar 

O destaque maior deste livro é o esforço de diálogo intenso com as teorias sociais contemporâneas, especialmente com relação à discussão sobre modernidade/pós-modernidade e às relações entre o local e o global. Em sua reunião de ensaios, o autor procura mostrar que o tema do acesso à terra, longe de ser residual, pode e deve ser compreendido à luz dos debates teóricos atuais, se quisermos perceber suas modulações e implicações. Como Sauer ressalta, "a modernidade - historicamente um conceito relacional identificado com a cidade - produz representações sociais e valores que perpassam os itinerários de vida e influenciam a reconstrução da identidade das pessoas que lutam pelo acesso à terra. Os processos sociais possibilitam, no entanto, releituras e reapropriações destes valores, criando oportunidades e perspectivas de vida que se diferenciam do modo de vida moderno."

Questão agrária no Brasil, A / Volume 5 – A classe dominante agrária – natureza e comportamento – 1964-1980

Autor: Sonia Regina de Mendonça
Número de páginas: 208
ISBN: 978-85-8739-479-7
Editora: Expressão Popular
Categoria: Estudos Agrários
Peso: 247 g
Preço: R$ 20,00 Comprar

Este volume que ora apresentamos, da coleção que pretende recuperar a história da questão agrária no Brasil, nos traz um estudo sobre as classes dominantes no meio rural brasileiro. 

De autoria da professora Sônia Regina Mendonça, especialista no assunto, este excelente texto analisa o comportamento dessas classes num período especial - de 1964 a 1990 - quando será implantada, por meio de um golpe, a ditadura militar e quando os movimentos camponeses serão derrotados em sua confrontação desproporcional com essa ditadura. Um profundo estudo sobre a natureza e o comportamento das principais organizações políticas da classe dominante no meio rural, como a SNA – Sociedade Nacional de Agricultura, a SRB – Sociedade Rural Brasileira e, especialmente, a UDR – União Democrática Ruralista, e seus representantes. A autora analisa também as relações promíscuas entre as classes dominantes e o Estado brasileiro, particularmente no que se refere a sua influência nos rumos da política agrária e agrícola.

Questão agrária no Brasil, vol. 4 – História e natureza das Ligas Camponesas – 1954-1964, A

Autor: João Pedro Stédile
Número de páginas: 244
ISBN: 978-85-8739-478-9
Editora: Expressão Popular
Categoria: Estudos Agrários
Peso: 270 g
Preço: R$ 20,00 Comprar

Este livro, o volume IV da coleção "A questão agrária no Brasil", faz uma homenagem às Ligas Camponesas, que foi o principal movimento das massas camponesas de 1954 a 1964 no Brasil. Primeiramente, destacamos o trabalho realizado por Clodomir Santos de Morais, em cuja bagagem vamos encontrar a experiência de sua prática política, como líder que foi das Ligas.

A recuperação de suas anotações e memória tornou possível a elaboração, a distância no tempo (de 1969) e no espaço (no seu exílio na Suíça), de uma minuciosa "História das Ligas Camponesas do Brasil". Em seguida, temos um texto da historiadora e socióloga, professora Bernardete W. Aued, que examina, com distanciamento e com base em pesquisas, o que foi esse movimento social, suas contradições internas e as influências que recebeu.

O terceiro texto é de Joseph A. Page, conhecido estudioso de assuntos brasileiros, escrito alguns anos após o desfecho golpe militar/destruição das Ligas, que teve o mérito de contextualizar, em termos socioeconômicos, o que esse "fenômeno" representou no período, inclusive da perspectiva do imperialismo estadunidense e sua relação com um país dependente, nos oferecendo a oportunidade de entender melhor as revoltas dos camponeses e a terrível repressão que se abateu sobre eles.

Por último, um recente trabalho (de 2004) do jornalista pernambucano Vandeck Santiago, que, estimulado pela repercussão que a herança histórica das Ligas Camponesas ainda provoca no Nordeste, mesmo quatro décadas após sua destruição, interpretou, com olhos do século 21, o que representaram e representam essas lutas, ajudando-nos a compreender a sua importância. 

Nos Anexos, vamos encontrar alguns documentos históricos, como o estatuto das Ligas e textos publicados no jornal "A Liga", que serviam basicamente para seus quadros e seus apoiadores na cidade.

Questão agrária no Brasil, vol. 3 – Programas de reforma agrária: 1946-2003, A

Autor: João Pedro Stedile (org.) 
Número de páginas: 240 
ISBN: 978-85-8739-471-1 
Editora: Expressão Popular 
Categoria: Estudos Agrários 
Peso: 287 g 
Preço: R$ 20,00 Comprar

Este volume, terceiro da coleção, é uma coletânea dos diversos projetos e programas políticos que setores sociais, classes e partidos políticos ofereceram à sociedade brasileira, como interpretação e solução do problema agrário. Durante o período pós-escravidão (1888-1930), com a crise do modelo agroexportador, deu-se início à formação do campesinato brasileiro. O campesinato consolidou-se no século 20 como classe social; e o proletariado rural se proliferou enquanto um contingente social. Surgiram, então, as primeiras demandas elaboradas em forma de teses políticas, nos programas das mais diferentes forças sociais e políticas.

A primeira manifestação real a concluir que o Brasil tinha um grande problema agrário foi realizada pelo PCB, na Constituinte de 1946, e defendida por Luiz Carlos Prestes. Depois, a manifestação programática da igreja católica em defesa da reforma agrária, a partir de uma ótica conservadora, foi feita pelo bispo mineiro de Campana, em 1950. Nos anos de 1960, tivemos o florescimento de inúmeros programas e teses políticas em defesa da reforma agrária.

Reproduzimos os principais documentos. Do PTB de Coutinho Cavalcanti ao de Leonel Brizola; das iniciativas do governo Goulart, até o golpe militar, que produziu a primeira lei de reforma agrária: o Estatuto da Terra, de 1964. O debate só foi retomado com o processo de redemocratização do país, quando a Contag, em 1979, aprova teses críticas ao governo militar e se retoma o debate da reforma agrária. Seguiu-se o surgimento dos novos movimentos sociais no campo, entre eles o MST. 

Publicamos as teses defendidas por esse movimento na sua fundação, em 1984. Depois, a hegemonia do debate e das idéias em torno do que deveria ser uma reforma agrária foi compartilhada pelo PT e pelo MST. Para evidenciar, publicamos as suas principais propostas: do PT em 1989 e depois em 2002, o que permite ao leitor analisar as mudanças que aconteceram. E do MST, a atualização do documento programático de sua fundação realizada no congresso de 1995. O livro termina com a Carta da Terra, o último documento expressivo da década de 1990, elaborado em 2003, como expressão da vontade unitária de todas as forças sociais que atuam no meio rural brasileiro.

Questão agrária no Brasil, vol 2 – O debate na esquerda: 1960-1980, A

Autor: João Pedro Stedile (org.) 
Número de páginas: 320 
ISBN: 978-85-8739-472-9 
Editora: Expressão Popular 
Categoria: Estudos Agrários 
Peso: 382 g 
Preço: R$ 20,00 Comprar 

Este livro, o segundo volume da coleção, complementa as análises sobre a natureza da questão agrária desde o período colonial até a década de 1960. São textos que podem ser considerados as reflexões de pensadores no campo da esquerda. A reflexão de Andre Gunder Frank acompanha todo o processo visto no volume I. Frank foi o primeiro, numa perspectiva marxista clássica, a fazer uma crítica às teses do PCB da existência do feudalismo na agricultura brasileira.

Ruy Mauro Marini, um dos pensadores e elaboradores da teoria da dependência, critica o fato de Caio Prado esperar que as relações sociais capitalistas se estendessem por toda a agricultura e que a questão da terra fosse resolvida antes pelo capitalismo. E, de certa forma, desprezar o papel do campesinato e das massas trabalhadoras.

Paulo Wright une teoria e ação política. A Ação Popular, organização política na qual militava, teve grande atuação política entre o campesinato. O texto revela o esforço teórico que era feito na época, mesmo nas piores condições de clandestinidade e de luta política.

Octavio Ianni descreve as novas relações sociais existentes na agricultura brasileira e demonstra como o capitalismo predominava.

A pesquisa e as teses de Jacob Gorender sepultam qualquer interpretação feudal e constroem um novo conceito de interpretação da existência de um modo de produção colonial, capitalista, baseado na organização das fazendas em plantation.

Mário Maestri, em seu ensaio, explica como foi a formação do campesinato brasileiro, do ponto de vista do modo de produção, a partir da falência da plantation e do modelo agroexportador escravocrata.

Por último, um texto que foi a ponte entre o passado anterior à ditadura militar de 1964 e os anos de 1980: "A Igreja e os problemas da terra no Brasil" é uma contribuição à interpretação da realidade agrária brasileira e suas relações sociais e de produção. Descreve como os capitalistas se utilizam da propriedade da terra para se apropriarem da renda da terra e como a concentração da propriedade da terra é base das relações sociais injustas no meio rural brasileiro.

Questão agrária no Brasil, vol. 1 – O debate tradicional: 1500-1960, A

Autor: João Pedro Stedile (org.) 
Número de páginas: 304 
ISBN: 978-85-8739-468-1 
Editora: Expressão Popular 
Categoria: Estudos Agrários 
Peso: 367 g 
Preço: R$ 20,00 Comprar 

Neste volume, reunimos os principais pensadores que, de certa forma, debateram a questão agrária na década de 1960, aglutinados em quatro vertentes do pensamento crítico. A primeira vertente é a corrente de pensamento hegemonizada pelo PCB, na época o principal partido de esquerda. Entre os pensadores que defenderam a corrente oficial do partido estão Nelson Werneck Sodré, Alberto Passos Guimarães e Moisés Vinhas. A segunda foi a corrente dissidente, representada pelas teses de Caio Prado Júnior. Membro atuante do partido, Caio Prado teve com o mesmo discordâncias fundamentais na interpretação da questão agrária, na interpretação da formação histórica do Brasil e na idéia do que seria a revolução brasileira. A terceira corrente foi a "escola cepalina" que, por influência de seu fundador e principal intelectual, Raul Prebisch, transformou-se, nas décadas de 1950 e 1960, num centro de pesquisa e de difusão de estudos e interpretações do nosso continente. No Brasil, as figuras mais proeminentes desse órgão foram Celso Furtado e Ignácio Rangel.

Por último, uma quarta vertente que, do ponto de vista da interpretação, era semelhante e sofria influências da "escola cepalina", mas, do ponto de vista político, estava articulada na chamada esquerda do PTB, liderada por Leonel Brizola. O texto incorporado é de Paulo Schilling. Aqui reunimos vários textos para proporcionar aos leitores subsídios para uma melhor compreensão dos profícuos debates travados, naquele período histórico, sobre a questão agrária e suas interpretações.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Semente foi plantada, A

Autor: Clifford Andrew Welch
Número de páginas: 480
ISBN: 978-85-7743-139-7
Editora: Expressão Popular
Categoria: Estudos Agrários
Peso: 764 g
Preço: R$ 30,00 Comprar

Apoiado em vasta documentação e percorrendo um lapso de tempo que vai das primeiras manifestações dos colonos das fazendas de café, no início do século XX, até as lutas dos trabalhadores das fazendas de cana por melhores condições de trabalho que antecedem o golpe militar de 1964, o estudo de Clifford Welch traça um amplo panorama das transformações nas condições de vida dos trabalhadores dos cafezais e canaviais paulistas, bem como das suas formas de organização e representação.

Utilizando-se de material de imprensa da época, de documentos produzidos pelas entidades patronais e de entrevistas com algumas lideranças que atuaram intensamente nos anos 1950/1960, o texto traz à luz informações detalhadas sobre a ação do Partido Comunista Brasileiro e da Igreja Católica no meio rural paulista, sobre o cotidiano dos militantes que buscavam conquistar a simpatia e o apoio dos trabalhadores do campo para suas causas, sobre greves e ações judiciais por eles encaminhadas.

O livro oferece ao leitor um panorama das diferentes posições presentes no debate político da época, dialogando com as disputas que ocorriam no campo político partidário tanto no Estado de São Paulo como no Brasil, procurando mostrar como nelas ganham peso temas relacionados aos direitos trabalhistas e à reforma agrária.

Sem dúvida, trata-se de uma importante contribuição para o resgate das lutas sociais no meio rural paulista e para uma melhor compreensão dos processos políticos subjacentes ao aparecimento do campesinato como ator político relevante no período que antecedeu o golpe militar de 1964. Não é comum que um livro mude drasticamente nossa compreensão do passado recente. Entretanto, A semente foi plantada destrói para sempre as noções consagradas na historiografia da “idiotia da vida rural” no Brasil do século XX, e torna acessível aos leitores o mundo esquecido da militância de trabalhadores rurais, sobretudo no Estado de São Paulo durante o chamado “período populista”, entre 1945 e 1964.

Baseado numa pesquisa ampla e original, Clifford Welch constrói uma narrativa dramática das lutas pelas quais esses trabalhadores se tornaram os sujeitos da sua própria história. Impressiona especialmente a maneira sensível e crítica com que o autor utiliza entrevistas conduzidas com participantes nos acontecimentos para iluminar os aspectos subjetivos da sua militância, assim como as razões da força (e das limitações) dos seus movimentos. Além disso, a análise penetra nas sombras da história política ao esclarecer as alianças complexas dos atores principais e o significado das mudanças econômicas em curso. 

Este livro não apenas corrige a nossa compreensão de um período ainda contestado, repondo em seu devido lugar um dos participantes-chave – os camponeses – nas lutas políticas que antecedem o golpe de 1964, mas também acrescenta elementos importantes para analisar o controvertido papel do PCB nos acontecimentos daqueles anos turbulentos. E mostra de uma maneira especialmente convincente como a própria lei, longe de ser uma simples manipulação pelos dominantes, virou um campo de lutas intensas com consequências que perduraram durante décadas.

Em suma, em A semente foi plantada, os trabalhadores rurais encontraram um historiador à altura da grandeza e da dramaticidade das suas experiências e das suas vidas. 
Michael Hall - Departamento de História, UNICAMP